Perguntas óbvias que deviam ser feitas aos poetas (com as respostas óbvias que deveriam ser dadas por eles)

por que você escreve?

escrevo porque tenho verve. escrevo porque meu sangue é uma tinta que ferve. escrevo porque assim a minha alma se acalma. escrevo pra ver se alguém bate uma palma. escrevo pra ter silêncio. escrevo pra ver se me convenço de mim mesmo. escrevo porque me invento. escrevo porque sou tenso (não porque sou intenso). escrevo porque existo de verdade quando penso. escrevo porque não penso sem olhos e mãos (aprendi que olhos e mãos têm a gramática peculiar de gestos e cores formas volumes onde tenho sentimentos).

sobre o que você escreve?

escrevo sobre o que tem verve. escrevo sobre sangue, sobre tinta que ferve. escrevo sobre almas que não têm calma. escrevo sobre aquilo que pode virar uma palma. escrevo sobre o silêncio. escrevo meus argumentos. escrevo o que invento. escrevo o que é tenso (não o que é intenso). escrevo sobre o que existe quando penso. escrevo sobre o que está diante das minhas mãos e olhos (escrevo sobre o que eles me dizem sobre o que me dão de sentimento).

para quem você escreve?

escrevo pra quem tem verve. escrevo pra quem tem no sangue tinta que ferve. escrevo pra quem tem alma (mesmo que eu não possa dar a ela a calma). escrevo pra quem pode bater palma. escrevo pra quem gosta de silêncio. escrevo pra quem precisa convencer-se de si mesmo. escrevo pra quem se inventa. escrevo pra quem é tenso (não pra quem é intenso). escrevo pra quem existe quando pensa. escrevo pra quem pensa com as mãos dos olhos (aqueles que querem o sentimento de gestos e formas em movimento).

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