ontem ouvi
que meu corpo diz demais
que eu não vivo em paz.

rapaz, tem tanto tempo,
tem tanta história que nem dá tempo
pra contar.

corro pra pagar uma aposta
feita com algumas velhas senhoras:
disse-lhes eu um dia

que multiplicaria por mil
minhas horas
antes que me levassem elas embora.

e porque eu quereria
o espaço de tanto tempo,
se do mundo nada se leva : tudo somente fica?

é que eu era jovem, é que eu tudo queria:
o hoje, o amanhã, o ontem,
qualquer sombra de meio-dia

(e para quase nada,
só para saber que eles – todos esses tempos –
em mim caberiam).

ontem ouvi
aquilo que eu não falo:
corro com meu corpo, e ele não me cala.

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