chrome_2016-04-02_09-25-10brilha a ilha,
é sol de meios
dias: águas separadas,
pistas pra muitos negócios,
ossos pra muitos ofícios
e os vícios, os vícios

vindo à terceira via,
os vãos e os desvãos,
a ilha é mais que só
o monte de pó
de pobre, que os montes
de minérios, os ferros,
os aços, os cobres:
a ilha é um monte de mulheres,
um monte de homens.

brilha a ilha,
e comove os olhares,
mas quem a olha
de cima quase
não sabe o que ou quem
vê (a pedra que foi de Pedro,
a mata que foi mato a dentro,
o mugido vago do arvoredo,
o povo todo com tanto medo)

: a ilha brilha e desafia
a força que vem dos mares distantes:
as correntes que levam ao largo,
ao longe o que nos encheria os olhos
e mataria nossa fome,
o royalty, a commodity, a opportunity,
e mais aquele monte de nomes
que não tem em tupi, mas que ainda
fazem a fama e a cama em Londres.

brilha a ilha, e na ponta de seu arco
uma íris desabrocha suas novas cores:
o que ontem era o cansaço do crepúsculo
agora é aurora, fibra de sol, músculo:
as cores de um espírito de santo
curando o nosso martírio ou enfim,
de vez, nos envenenando.

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