spooky-fiesta
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sou de uma estranha
raça que nunca pôde
sentir dor : a dor com
que se me pega, malho,
moo, coo, faço virar
amor:

não o amor frouxo
que o romanço remoi,
o romance-de-flor,
as poses de tela,
amor-de-ideia,
humor-de-ator:

o amor que a dor
pela minha raça introduz
é amor ainda de luz,
mas de raiar tão forte
(como soi ser das auroras)
que sacode, feroz,
o olhar de quem o conduz

(algo assim como a dor
de um prego leva
cada cristão a manter-se
atado à sua cruz):

esse amor todo
feito de dor, minha raça
preza e assina: somos febre, sintoma,
somos gnose e vacina
cortando como vidro cristalino
a carne que já vem ferida,
magoada, rasgada, corroída,
a carne que já quase
não tem vida:

a bolha de barro
a quem se convida
tornar-se infinita

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